domingo, 6 de junho de 2021

Do sonho acordei seu

Sonhei hoje com você
Estávamos no mar e eu à sua mercê
Velejavamos, mas água não havia
Eram rosas
Ali eu te abraçava e te acolhia
Encantada, a natureza cantava
Quando você sorria

Os pássaros entoavam seu canto,
Quando seu sorriso brilhava tanto.
De repente, partimos numa estrada,
Estavamos na moto, começamos a jornada.

Nada mais desejávamos naquele momento,
A não ser a nossa mútua companhia, o sentimento.
De inopino o motor se põe a falhar,
Refletimos, ponderamos, e pudemos consertar

No encontro de corações, um mistério a desvendar,
A relação amorosa, um elo a se forjar.
Como óleo na máquina, suave fluido a se espalhar,
Elementos essenciais, para a conexão cuidar.

Comunicação franca, alicerces a estabelecer,
Honestidade como guia, sem medo de se perder.
Respeito mútuo, a base para florescer,
Entendendo as diferenças, sem nunca esmorecer.

A compreensão, um abraço sutil e acolhedor,
Apoio emocional, em cada momento de dor.
Juntos, resolvendo problemas com ardor,
Construindo um futuro de amor e fervor.

Investindo nesses pilares, no amor a acreditar,
Criamos um ambiente, onde a paz há de reinar.
Um relacionamento harmonioso, a se perpetuar,
O óleo da relação, a nos fazer caminhar.

Dessa viagem eu não quero acordar
Aproveitar o encontro e do óleo cuidar
Regar esse motor pra que não venha falhar
 
Como nada é perfeito, logo amanheceu
Mas do sonho eu acordei seu
Com esperança de trazer ao mundo você e eu

fim

quinta-feira, 18 de março de 2021

Amar sem dor

Querer alguém, compreender a essência,
Deixar de lado a busca incessante,
Aceitar a liberdade da existência,
Sem impor-se de forma arrogante.

Buscar conexão verdadeira,
Compreender o que se espera.
Querer o que não tem,
Aceitar quem somos é o maior desdém.

Querer para si é um caminho incerto,
Pois o amor só floresce quando é aberto.
Não importa se está aqui ou além,
A verdadeira conexão transcende, amém.

Abster-se da sedução utilitarista,
Do cativar irresponsável, egoísta.
Abster-se dos vínculos cruéis,
Que mascaram a essência com papéis.

A hipocrisia, tão presente no olhar,
Será enfrentada com coragem e amor,
Pois ninguém se doa a quem não quer,
Amar além de si, é o verdadeiro valor.

A hipocrisia pode vir e voltar,
Reagir com a verdade tem melhor sabor
Ninguém se entrega se não quer,
Amar é compartilhar, é se doar sem dor.

fim

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Falso encantamento

Olhei mas não a vi

Olhei e admirei

Mas limitei-me ali

A ciência da essência

Que o externo não transcreve

Transcende a aparência

A quem quer que a observe


O encanto falso se desvela

Nas sombras da ilusão

A beleza superficial revela

Uma miragem de emoção


Atrai como um doce veneno

Com gestos de encantamento

Mas por trás desse rosto sereno

Há histórias de sofrimento


A alma se deixa levar

Por um brilho enganador

Mas no vazio se há de sanar

Era tudo ilusão de cor


O falso encantamento desvendo

Com olhos que agora enxergam

A verdade além do momento

Que o superficial não entrega


O poder da essência revela

Que a verdadeira beleza subsiste

No profundo pintar da aquarela

Do recanto em que a alma reside

 

Caráter, valores, qualidades

Com o tempo não desvanecem

Ao contrário das vaidades

Que enganam e não permanecem

 

fim

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Novo normal

E essa pandemia? Novo normal?

Acredito que, no começo, a gente não aceitava o que estava acontecendo (negação), daí veio a raiva e a indignação. Então passamos a barganhar com a vida, tentando burlar a realidade. Mas ao ver que não seria possível, veio a depressão. Depois de conseguir entender melhor as coisas, veio essa ideia de "novo normal", e, após adquirir novos hábitos, passamos a aceitar (quase) tudo e a seguir em frente. Será?

Pelo menos comigo foi assim.

Na verdade (penso eu) o que nos assombrou foi a forma agressiva como veio essa mudança: por meio de uma pandemia. Quarentena. Isolamento. São tantas incertezas, mas principalmente com a insegurança de não sabermos  com quê estamos lidando. E o pior, passamos a desacreditar do amanhã, porque o pessimismo veio com tudo. Aí veio essa ideia de "um novo normal" pra tentar nos abraçar e nos aliviar, diante de uma expectativa de algo novo, mas normal. O problema é que o conceito de normal é muito amplo e, ao mesmo tempo, subjetivo, gerando ainda mais insegurança. Complicado...mas acredito que uma coisa certamente essa pandemia está nos ensinando severamente: a viver um dia de cada vez e a cultivar o presente como se fosse o último. Talvez com isso a gente construa um futuro não tão "normal", mas novo e com frutos tão bons que nos façam evoluir a essência e nos tornar mais humanos.

Fim

Destoa

Não precisa ter receio
Se vc destoa
Não é à toa
Tanto que é uma coisa boa 

Todo esse seu anseio
Pelo jeito, pela forma
Pelo medo, pelo estado
Pelo tempo que deforma
Pelo ego renegado
Pelo momento que transforma

Tudo isso é um recado
Se aprofundar não é pecado
Pecado é ficar parado
No que não tem significado

fim

domingo, 22 de setembro de 2019

Um diálogo com a diversão

Olhei pra minha parede, onde tem algumas fotos da minha infância, e lembrei de como eu era feliz com tão pouco. Dava pulos de alegria e me sentia realizado quando em casa a gente se juntava pra brincar de banco imobiliário no chão da sala, ou então quando fazíamos "acampamento" com as almofadas do sofá. A minha cama estava lá arrumadinha, mas eu não podia perder a chance de passar a noite na "cabaninha" construída com tanto esforço de criatividade.

Não tava nem aí pro que estava acontecendo com a economia ou com a política, a preocupação estava em chegar logo o fim de semana para que eu pudesse ir pra piscina e jogar bola no campinho. As tarefas escolares eram encaradas assim: fazê-las ou burlá-las copiando de algum nerd, só pra ter mais tempo de brincar...rs. Criança tá sempre com a cabeça na diversão. Era como se as lições de casa fossem um obstáculo a se ultrapassar pra que eu pudesse brincar mais. Não havia aquela preocupação com o mercado de trabalho, muito embora a cobrança dos meus pais e dos professores fosse sempre essa.

Mas eu acredito na teoria da proporcionalidade das conquistas e responsabilidades (que acabei de inventar....rsrs). Isso mesmo. Quer dizer que, quando adultos, não temos maiores responsabilidades ou conquistas, mas sim, temos tudo isso de maneira proporcional à maturidade que adquirimos desde que nascemos - ou pelo menos deveríamos ter. Quando criança nossos pais são a nossa maturidade até alcançarmos a nossa própria. Ou seja, nosso papel na infância é conseguirmos nos divertir ao máximo, aproveitando cada oportunidade em utilizarmos nossos sentidos para assimilarmos as informações e conseguirmos compreender o sentido das coisas.

Numa pesquisa divulgada pela Unifil - Centro Universitário Filadélfia - em dezembro de 2011, elaborado pela acadêmica Joyce Aparecida Pires Cardia, foi constatado que a brincadeira é um elemento estratégico de grande valia para o desenvolvimento da aprendizagem e da maturidade. Nessa pesquisa há uma citação do cientista Lev Vygotsky extraída do livro dos Ph.D.'s em Psicologia Fred Newman e Lois Holzman, intitulado "Lev Vygotsky: cientista revolucionário", que faço questão de transcrever:
Numa brincadeira, a criança faz uso espontâneo de sua habilidade de separar significado de um objeto sem saber que está fazendo isso, exatamente como não sabe estar falando em prosa, mas fala sem prestar atenção nas palavras. [...]. Assim de conceitos ou objetos, as palavras se tornam partes de uma coisa. Em certo sentido uma criança brincando está livre para determinar suas próprias ações, mas em outro, esta é uma liberdade ilusória, pois suas ações estão de fato subordinadas aos significados das coisas, e ela age de acordo com eles.
O problema, na verdade, existe quando assumimos mais responsabilidades do que podemos suportar, o que nos sobrecarrega, gerando stress e outros desgastes físicos e emocionais. Geralmente isso acontece por falta de planejamento e solidez, cuja prática vem sendo constantemente limada pelos discursos apelativos de uma sociedade consumerista que, por conta da velocidade do avanço tecnológico, nos sugere a ideia de que estamos sempre atrasados ou desatualizados.

Confesso que, hoje, já estou bem mais maduro e me considero bem sucedido no que faço. Tenho uma boa formação acadêmica, um ótimo trabalho e uma perspectiva de futuro muito promissora. Mas porquê às vezes eu me deparo com aquele sentimento como se eu fosse mais feliz quando criança?

Esses dias atrás, lendo a Bíblia, meditei num episódio em que algumas pessoas levavam suas crianças até Jesus. Mas por estarem sendo impedidas pelos discípulos, Jesus lhes repreendia dizendo para deixarem que as crianças fossem até ele, ressaltando que o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas, e afirma que nunca entrará no Reino quem não recebê-lo como uma criança (Lucas 18.15-17). Então algumas coisas começaram a fazer algum sentido.

Fiquei imaginando toda aquela criançada correndo em direção a Jesus com um único intuito: abraçá-lo. Isso já era o suficiente para que elas ficassem completamente felizes e realizadas. E com toda certeza elas estavam se divertindo muito com esse encontro. Já os adultos, em sua grande maioria, sempre carregavam consigo algum stress, algum problema para levar ao Mestre, vendo nEle a solução para os seus problemas, não simplesmente como um mestre e companheiro.

Percebo que, ao passo em que crescemos, acumulamos tantos anseios e responsabilidades, muitas vezes de forma precipitada e exacerbada, gerando-nos diversos problemas, que acabamos depositando em determinadas coisas ou pessoas a responsabilidade pela nossa felicidade. Como naturalmente isso não é possível, ficamos frustrados e desde logo buscamos arrumar um jeito de nos desfazermos desses elementos "imprestáveis". Não sendo possível o desfazimento, passamos a conviver com eles de maneira exaustiva.

Tudo isso cansa, corrói o espírito e mata a alma. Não se pode manter uma boa saúde física e mental assim. E, consequentemente, nenhuma felicidade. Precisamos nos divertir mais!

Vejo a diversão como uma atividade realizada com prazer, desassociada de preocupações stress e cobranças. É muito comum associarmos a diversão com o momento de lazer, mas não é bem assim. Esse momento (do lazer) é uma pausa, um intervalo que damos à mente da concentração do trabalho, é o descanso. Mas tudo o que fazemos com prazer se torna divertido.

Pois bem, se na infância a diversão nos ajuda no desenvolvimento dos sentidos e no aprimoramento do raciocínio para uma melhor percepção da vida, na vida adulta ela nos auxilia a desenvolvermos as nossas atividades com mais excelência e perfeição.

A lógica é simples. Tudo na natureza funciona assim: retêm-se o que é bom e se elimina o que é ruim. E não é diferente com o nosso cérebro. Estudos mostram que a nossa memória funciona melhor quando a informação vem associada com algo prazeroso. O que é ruim entra como conflito e fica gravado como zona de tensão.

O verbo saber, do latim sapere, é associada na sua origem ao substantivo sapor, que significa sabor. Essa associação existe porque o efeito do conhecimento é o mesmo do de sentir o gosto do alimento, ou seja, conhecer é sentir o sabor da existência (uia!...que frase bacana...rsrs). Note que quando o sabor é agradável, nosso organismo pede mais dele.

Quem se diverte tem sabor agradável pela vida e faz tudo com prazer e motivação genuína, ou seja, com amor.

Friedrich Nietzsche disse uma vez: 
"Uma pessoa continua a trabalhar porque o trabalho é uma forma de diversão. Mas temos de ter cuidado para não deixarmos a diversão tornar-se demasiado penosa."
Não se trata de valorizar o aspecto irresponsável e imaturo de uma criança quando falo em diversão. Nem tampouco de menosprezar a importância dos planejamentos acadêmicos, profissionais, econômicos e familiares, de modo a fazer tudo com desleixo e de forma jocosa. Trata-se, porém, de manter acesa a chama da pureza, da simplicidade e da sinceridade de coração, além da fé, buscando sempre a paz, pois é nutrindo essas qualidades que conseguiremos transformar as aflições da vida numa eterna diversão, a qual Jesus uma vez chamou de "bom ânimo", pedindo que o tivéssemos, já que lá na cruz Ele venceu as mazelas desse mundo (João 16.33).

Quando se é criança, a vida é cheia de diversão e tudo é feito com amor. Antes de decidir alguma coisa é preciso vermos se seremos capazes de realizar tudo com alegria. Esse é um dos segredos da verdadeira felicidade.

 fim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sabedoria

Todos os dias aprendemos alguma coisa nova. Não há exceção. Ainda que não percebamos, o conhecimento sempre vem, de uma forma ou de outra. Mas aí que tá. Será que estamos dando atenção ao diálogo que a vida nos proporciona, pra conquistarmos a sabedoria? É que estamos tão ocupados com nossas vidências que esquecemos das nossas vivências. É simples como trocar o "d" pelo "v", mas tão complexo quanto entender o sentido e o alcance disso.

A sabedoria não compactua com a arrogância e a prepotência. O arrogante vive em monólogo com a vida, enquanto o diálogo é o motor da sabedoria. Simples assim e complexo assim. A arrogância é a ferramenta do inseguro e do preguiçoso, mas o sábio se curva à beleza e à grandeza da vida e ao que Deus representa. É preciso coragem, pois a sabedoria se conquista com humildade.

fim

terça-feira, 7 de junho de 2016

Entender o amor

Quem somos nós pra entender o amor? Sequer amamos em plenitude! Nossa pequinês só faz transparecer o fruto da vaidade. Nosso ego é o ismo que a nossa natureza cultua. Por isso amar é sobrenatural. Amar é irracional do ponto de vista humano, porque é impossível conceber a razão do sobrenatural. É transcendental. É o desprendimento da esfera humana, pois somente com a certeza do que se espera e com a prova inequívoca do que não se pode ver é que se transcende à razão natural. Então passaríamos a viver a prova real daquilo que a nossa "realidade" não comporta, testemunhando a verdade pura contrastar-se à vaidade que sustenta nossos precários anseios. Amaríamos apenas. Não alimentaríamos o anseio de entendê-lo e conceituá-lo, pois isso é vaidade, onde o amor não está.

fim

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Sentido

Parar? Talvez...
Esvaziar a mente da avidez
Uma vela sobre a mesa, acender
A grama na planta dos pés, sentir
A chuva com prelúdios, ouvir

Com suas cores a vida é um louvor
Mas o anseio com suas cinzas é um pavor
Impávida a natureza, com toda sua destreza
Traduz a simples complexidade da humildade

À margem
Vê-se acesa a sensibilidade de ouvi-la ensinar
Ao se permitir
Dá-se sentido à vida ao sentir

fim

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Silêncio

A maior expressão do ser é o silencio. Não se pode cala-lo. Não se pode evita-lo. O que acontece nos bastidores da existência é a verdadeira realidade que muitas vezes se ignora. No silêncio absorve-se as agressões perpetradas pelas ingênuas atitudes que desnudam a falsa virilidade da ganância e da prepotência. É onde se ouve o clamor da alma e o sussurrar da vida. Mas é preciso percebê-lo para compreendê-lo.

É no silêncio, por exemplo, onde reside a saudade. Ninguém é remetido ao belo reviver das boas lembranças sem que haja o silêncio para remetê-lo ao episódio querido. E Rubem Alves tinha razão quando disse que “a saudade é a nossa alma dizendo pra onde ela quer voltar”. O silêncio nos proporciona um diálogo sobrenatural com a alma.

Falamos tanto, exteriorizamos tanto, exigimos tanta atenção da vida, enquanto a alma carece de afago. É um relacionamento que não pode acabar esse nosso com o silêncio, esse nosso com a alma, esse nosso com a essência. Os fundamentos da vida só vêm à tona com o calar da voz que causa ruídos à percepção infungível da realidade.

Calemo-nos pra ouvir o suplicar da maior expressão do ser, que nos sustenta. Calemo-nos pra que possamos gritar com ações o que não pode ser dito com palavras. Calemo-nos pra que possamos falar o que realmente deva ser dito. Calemo-nos pra que o silêncio possa nos ensinar o verdadeiro sentido da sabedoria.

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses” - Rubem Alves.

Silêncio! Estou crescendo.

fim