domingo, 6 de junho de 2021
Do sonho acordei seu
quinta-feira, 18 de março de 2021
Amar sem dor
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
Falso encantamento
Olhei mas não a vi
Olhei e admirei
Mas limitei-me ali
A ciência da essência
Que o externo não transcreve
Transcende a aparência
A quem quer que a observe
O encanto falso se desvela
Nas sombras da ilusão
A beleza superficial revela
Uma miragem de emoção
Atrai como um doce veneno
Com gestos de encantamento
Mas por trás desse rosto sereno
Há histórias de sofrimento
A alma se deixa levar
Por um brilho enganador
Mas no vazio se há de sanar
Era tudo ilusão de cor
O falso encantamento desvendo
Com olhos que agora enxergam
A verdade além do momento
Que o superficial não entrega
O poder da essência revela
Que a verdadeira beleza subsiste
No profundo pintar da aquarela
Do recanto em que a alma reside
Caráter, valores, qualidades
Com o tempo não desvanecem
Ao contrário das vaidades
Que enganam e não permanecem
fim
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
Novo normal
Destoa
domingo, 22 de setembro de 2019
Um diálogo com a diversão
Não tava nem aí pro que estava acontecendo com a economia ou com a política, a preocupação estava em chegar logo o fim de semana para que eu pudesse ir pra piscina e jogar bola no campinho. As tarefas escolares eram encaradas assim: fazê-las ou burlá-las copiando de algum nerd, só pra ter mais tempo de brincar...rs. Criança tá sempre com a cabeça na diversão. Era como se as lições de casa fossem um obstáculo a se ultrapassar pra que eu pudesse brincar mais. Não havia aquela preocupação com o mercado de trabalho, muito embora a cobrança dos meus pais e dos professores fosse sempre essa.
Numa brincadeira, a criança faz uso espontâneo de sua habilidade de separar significado de um objeto sem saber que está fazendo isso, exatamente como não sabe estar falando em prosa, mas fala sem prestar atenção nas palavras. [...]. Assim de conceitos ou objetos, as palavras se tornam partes de uma coisa. Em certo sentido uma criança brincando está livre para determinar suas próprias ações, mas em outro, esta é uma liberdade ilusória, pois suas ações estão de fato subordinadas aos significados das coisas, e ela age de acordo com eles.
Fiquei imaginando toda aquela criançada correndo em direção a Jesus com um único intuito: abraçá-lo. Isso já era o suficiente para que elas ficassem completamente felizes e realizadas. E com toda certeza elas estavam se divertindo muito com esse encontro. Já os adultos, em sua grande maioria, sempre carregavam consigo algum stress, algum problema para levar ao Mestre, vendo nEle a solução para os seus problemas, não simplesmente como um mestre e companheiro.
Percebo que, ao passo em que crescemos, acumulamos tantos anseios e responsabilidades, muitas vezes de forma precipitada e exacerbada, gerando-nos diversos problemas, que acabamos depositando em determinadas coisas ou pessoas a responsabilidade pela nossa felicidade. Como naturalmente isso não é possível, ficamos frustrados e desde logo buscamos arrumar um jeito de nos desfazermos desses elementos "imprestáveis". Não sendo possível o desfazimento, passamos a conviver com eles de maneira exaustiva.
Tudo isso cansa, corrói o espírito e mata a alma. Não se pode manter uma boa saúde física e mental assim. E, consequentemente, nenhuma felicidade. Precisamos nos divertir mais!
Vejo a diversão como uma atividade realizada com prazer, desassociada de preocupações stress e cobranças. É muito comum associarmos a diversão com o momento de lazer, mas não é bem assim. Esse momento (do lazer) é uma pausa, um intervalo que damos à mente da concentração do trabalho, é o descanso. Mas tudo o que fazemos com prazer se torna divertido.
Pois bem, se na infância a diversão nos ajuda no desenvolvimento dos sentidos e no aprimoramento do raciocínio para uma melhor percepção da vida, na vida adulta ela nos auxilia a desenvolvermos as nossas atividades com mais excelência e perfeição.
A lógica é simples. Tudo na natureza funciona assim: retêm-se o que é bom e se elimina o que é ruim. E não é diferente com o nosso cérebro. Estudos mostram que a nossa memória funciona melhor quando a informação vem associada com algo prazeroso. O que é ruim entra como conflito e fica gravado como zona de tensão.
O verbo saber, do latim sapere, é associada na sua origem ao substantivo sapor, que significa sabor. Essa associação existe porque o efeito do conhecimento é o mesmo do de sentir o gosto do alimento, ou seja, conhecer é sentir o sabor da existência (uia!...que frase bacana...rsrs). Note que quando o sabor é agradável, nosso organismo pede mais dele.
Quem se diverte tem sabor agradável pela vida e faz tudo com prazer e motivação genuína, ou seja, com amor.
Friedrich Nietzsche disse uma vez:
"Uma pessoa continua a trabalhar porque o trabalho é uma forma de diversão. Mas temos de ter cuidado para não deixarmos a diversão tornar-se demasiado penosa."
fim.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Sabedoria
A sabedoria não compactua com a arrogância e a prepotência. O arrogante vive em monólogo com a vida, enquanto o diálogo é o motor da sabedoria. Simples assim e complexo assim. A arrogância é a ferramenta do inseguro e do preguiçoso, mas o sábio se curva à beleza e à grandeza da vida e ao que Deus representa. É preciso coragem, pois a sabedoria se conquista com humildade.
fim
terça-feira, 7 de junho de 2016
Entender o amor
fim
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Sentido
Esvaziar a mente da avidez
Uma vela sobre a mesa, acender
A grama na planta dos pés, sentir
A chuva com prelúdios, ouvir
Com suas cores a vida é um louvor
Mas o anseio com suas cinzas é um pavor
Impávida a natureza, com toda sua destreza
Traduz a simples complexidade da humildade
À margem
Vê-se acesa a sensibilidade de ouvi-la ensinar
Ao se permitir
Dá-se sentido à vida ao sentir
fim
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Silêncio
É no silêncio, por exemplo, onde reside a saudade. Ninguém é remetido ao belo reviver das boas lembranças sem que haja o silêncio para remetê-lo ao episódio querido. E Rubem Alves tinha razão quando disse que “a saudade é a nossa alma dizendo pra onde ela quer voltar”. O silêncio nos proporciona um diálogo sobrenatural com a alma.
Falamos tanto, exteriorizamos tanto, exigimos tanta atenção da vida, enquanto a alma carece de afago. É um relacionamento que não pode acabar esse nosso com o silêncio, esse nosso com a alma, esse nosso com a essência. Os fundamentos da vida só vêm à tona com o calar da voz que causa ruídos à percepção infungível da realidade.
Calemo-nos pra ouvir o suplicar da maior expressão do ser, que nos sustenta. Calemo-nos pra que possamos gritar com ações o que não pode ser dito com palavras. Calemo-nos pra que possamos falar o que realmente deva ser dito. Calemo-nos pra que o silêncio possa nos ensinar o verdadeiro sentido da sabedoria.
“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses” - Rubem Alves.
Silêncio! Estou crescendo.
fim