sábado, 14 de setembro de 2024

Sonho de um instante

Sonhei com uma coisa tão bela
E logo percebi, era sobre você
Meus neurônios em festa aquarela
Inspiravam-se tanto na arte ao te ver!

A natureza, como sede do bom
Festeja o que em ti há de entoar
Inspira-se no afável que emanas
Alegra-se ao te ver, ao te sentir, ao te amar

Cada gesto é um som assonante
Une-se ao vento num belo semblante
Com palavras encanta em melodia
Mas o sorriso, ah...o seu sorriso
Faz da vida o sonho de um instante

fim

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Formas

Estamos tão atrasados que as nossas escolhas se distraem
Não se prestam a somar nem dividir
Só param no tempo como um pensamento vazio

São movimentos atômicos num oceano de possibilidades
Não estamos preparados pro futuro, mas ele é tão presente que parecemos viver no passado

Essa sensação destoa e ecoa
Faz sentir o coração pulsar pelas veias do crânio
É um efeito tão evidente que afunda os olhos

O olhar é distante e preponderantemente interno
Nas masmorras da ilusão se perdem as esperanças de um bote à deriva
E se o vejo, logo se esvai pelo horizonte

É fácil criar formas, só não dá pra entendê-las, às vezes
Talvez com alguma ajuda, talvez
Mas, ainda assim, precisaríamos de reforços

O que não é fácil, diante da profundidade necessária pra alcançar a virtude
Que tá lá no mais profundo do que podemos chamar de relacionamento
E que tá muito além do que podemos alcançar por nós mesmos

Virtude essa que tem o poder de dar significado a formas intangíveis 
Que pode remodelar formas imprestáveis
E pode recriar formas de amar inimagináveis
Sem perder a essência da eterna e verdadeira virtude do Leão

fim

domingo, 27 de agosto de 2023

(Es)toque mineiro

Eita, que tanto de calçado qui tem nesse estoque! Impressionante, sô!

Ah, meu chapa! Aqui na Paulista a demanda é alta. Precisamos organizar tudo direitinho pra atender a clientela.

Mas cêis tão ligado que nois mineiro temo um jeitim mais tranquilim de fazê as coisa, né? Num precisa fica tão estressado, uai.

Cara, eu entendo, mas aqui em São Paulo é tudo no ritmo acelerado. A gente tem que se virar nos 30 pra dar conta. Vamos precisar de um sistema eficiente de categorização e prateleiras bem identificadas.

Ah, num nego, uai! Mas óia só, cêis precisa se acalma um pouco, sô. Num dianta fica correndo qui nem doido, porque essa pressa é inimiga da perfeição.

Eu sei, meu chapa, mas é que aqui o tempo voa. A gente precisa de agilidade pra não deixar nenhum cliente esperando. Vamos usar etiquetas com códigos de barras e um sistema de inventário digital, assim fica mais fácil de localizar os produtos.

Tendi, bão demais! Mas ainda acho que podemo fazê um cantim pra relaxá, sô. A vida né só trabai, não. Vamo harmonizá as coisa aqui, deixá o ambiente mais aconchegante?

Hum, sei não, mineiro...

Ceis são tudo doido, sô.

fim

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Pão com geleia

E o sabor de infância
que me trouxe aquele pão
com geleia de morango
nostalgia do seu João

À singeleza de cada fatia
dividida com o gole de vida
e simplicidade de alma
sirvo-me do café, bom dia!

É um cheiro que me acolhe
um lugar seguro
que me encolhe

Guardo-me nesse doce instante
mergulhado nesta sina
da lembrança de quem somos
e que ninguém imagina

simples riqueza de verdade
café, pão, geleia e amizade

fim

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

A atendente

Simples gesto, um aceno
Atenção no sorriso sereno
Passos largos, prontidão
"Posso ajudar, pois não"?

Olhos se encontram, suspiro no ar
Ele no balcão a observar
Toda graciosa e gentil a atendente
De olhos firmes e aspecto contente

Delicada, como dança no ar
O café ela serve com cuidado exemplar
Grãos moídos, aroma sedutor
Ele se perde em todo esse ardor

Sem constrange-la pediu, por favor
Traga mais um café? 
Sim senhor.

O aroma desperto, um mistério no ar
Comandam a dança dos sentidos, a flutuar.

Ela desliza, com graciosidade,
Desfilando seu vestido escarlate
Palavras ela pronuncia com melodia
Uma doce sinfonia

Embevecido, o rapaz sair não conseguia
Quase enfartou enquanto ela sorria
Com cuidado ele deixa um recado
No guardanapo, sem ser notado

"O café foi um mero detalhe
Diante do sabor desse momento
Não perdi um só movimento
Amor de pronto, é o que mais vale"

Simples gesto, um aceno
Atenção no sorriso sereno

fim

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

As sementes do passado

Passado e presente se entrelaçam

Como dança na mente da criança

Sonhos decerto alimentam

Sementes plantando esperança


Eu poderia dizer um milhão de coisas

Três milhões, talvez, nessa dança

Mas só vale a certeza da vida

Que é vivida na doce infância


E não há nada que se possa fazer

A gente cresce, que intolerância

As sementes, que plantar desaprendemos

Vazias se tornam pedancia


De passado o presente entorpece

Salta os olhos e a mente enlouquece

Na sargeta o ébrio adoece

Até que o resgate emana


É o menino trazendo a semente

Na alvorada ele planta com graça

Trouxe à tona a tenra lembrança

Dos sabores da doce infância


No caminho a semente lhe é dada

E o plantio há de ser permanente

Que a esperança sempre alimente

A bela criança que que há gente 


fim

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

O disfarce do tempo

o que é a vida sem a morte?
ou a morte sem a vida?
se viver é morrer, morrer é viver
só vive quem morre todo dia

não há morte sem o tempo
nem tempo sem a morte
porque se eu vivo
também morro a cada instante
 
ora, o tempo mata a vida
e o enterra no passado
tempo é a morte disfarçada, lamento
não temos tempo, temos morte
o que é a vida senão o disfarce do tempo?
 
fim

A vida é um poema

A vida é um poema
é que a gente não percebe
seus versos descrevem a cena
da sina que se recebe

a beleza está nos detalhes
no milésimo de segundo
é o capturar dos pilares
do efêmero agora desnudo

as rimas que encantam a sorte
se entrelaçam num encontro de almas
de mãos dadas os versos dão norte
ao belo vivenciar, sem traumas

Cada dia que se passa
é uma estrofe desse poema
que pode ser um belo soneto
ou uma triste elegia, lamento

fim

quarta-feira, 13 de abril de 2022

O deslinde do amor

Deus nos incomoda ao amor
que desconforta e tudo abrange
se importa e constrange
faz do céu um inferno ao inconstante
ao preguiçoso, irritante

desvanece na paixão
mas cresce na intenção
de entrega, de imersão
e planta a paz no caos do coração
colhendo luz nas trevas da ilusão
 
fim

domingo, 26 de setembro de 2021

Memórias da pele

A intimidade esculpe o lídimo
Traduz o ínfimo 
Refaz o escrúpulo
Desfaz o escárnio
Mas, na pseuda intensão do ser
Torna-se epiderme no juízo
Explorando ingenuamente o querer
Nos arrepios da apreciação fugaz
Ou nos intensos prelúdios se perder
Com estupidez és o imbróglio da insensatez
Ignorando na angustia os sinais
Com apego tenaz ao escrúpulo e à tez
Afagando-se o cais com ditames intragáveis
Mas
Não mais pseuda, torna-se derme
Revelando-se a fervura anelar
Harmonizando-se invernos com vinho
Intensificando-se o toque na força do olhar
À tona traz a tenra intensidade
Verdade é o que faz, é o que vais
Na vida, na vaidade, na ingratidão
Na pele assenta-se tudo e mais
Na cor, nas chagas, na dor
A tez rememora a sina que traz
O amor

fim

domingo, 6 de junho de 2021

Do sonho acordei seu

Sonhei hoje com você
Estávamos no mar e eu à sua mercê
Velejavamos, mas água não havia
Eram rosas
Ali eu te abraçava e te acolhia
Encantada, a natureza cantava
Quando você sorria

Os pássaros entoavam seu canto,
Quando seu sorriso brilhava tanto.
De repente, partimos numa estrada,
Estavamos na moto, começamos a jornada.

Nada mais desejávamos naquele momento,
A não ser a nossa mútua companhia, o sentimento.
De inopino o motor se põe a falhar,
Refletimos, ponderamos, e pudemos consertar

No encontro de corações, um mistério a desvendar,
A relação amorosa, um elo a se forjar.
Como óleo na máquina, suave fluido a se espalhar,
Elementos essenciais, para a conexão cuidar.

Comunicação franca, alicerces a estabelecer,
Honestidade como guia, sem medo de se perder.
Respeito mútuo, a base para florescer,
Entendendo as diferenças, sem nunca esmorecer.

A compreensão, um abraço sutil e acolhedor,
Apoio emocional, em cada momento de dor.
Juntos, resolvendo problemas com ardor,
Construindo um futuro de amor e fervor.

Investindo nesses pilares, no amor a acreditar,
Criamos um ambiente, onde a paz há de reinar.
Um relacionamento harmonioso, a se perpetuar,
O óleo da relação, a nos fazer caminhar.

Dessa viagem eu não quero acordar
Aproveitar o encontro e do óleo cuidar
Regar esse motor pra que não venha falhar
 
Como nada é perfeito, logo amanheceu
Mas do sonho eu acordei seu
Com esperança de trazer ao mundo você e eu

fim

quinta-feira, 18 de março de 2021

Amar sem dor

Querer alguém, compreender a essência,
Deixar de lado a busca incessante,
Aceitar a liberdade da existência,
Sem impor-se de forma arrogante.

Buscar conexão verdadeira,
Compreender o que se espera.
Querer o que não tem,
Aceitar quem somos é o maior desdém.

Querer para si é um caminho incerto,
Pois o amor só floresce quando é aberto.
Não importa se está aqui ou além,
A verdadeira conexão transcende, amém.

Abster-se da sedução utilitarista,
Do cativar irresponsável, egoísta.
Abster-se dos vínculos cruéis,
Que mascaram a essência com papéis.

A hipocrisia, tão presente no olhar,
Será enfrentada com coragem e amor,
Pois ninguém se doa a quem não quer,
Amar além de si, é o verdadeiro valor.

A hipocrisia pode vir e voltar,
Reagir com a verdade tem melhor sabor
Ninguém se entrega se não quer,
Amar é compartilhar, é se doar sem dor.

fim

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Falso encantamento

Olhei mas não a vi

Olhei e admirei

Mas limitei-me ali

A ciência da essência

Que o externo não transcreve

Transcende a aparência

A quem quer que a observe


O encanto falso se desvela

Nas sombras da ilusão

A beleza superficial revela

Uma miragem de emoção


Atrai como um doce veneno

Com gestos de encantamento

Mas por trás desse rosto sereno

Há histórias de sofrimento


A alma se deixa levar

Por um brilho enganador

Mas no vazio se há de sanar

Era tudo ilusão de cor


O falso encantamento desvendo

Com olhos que agora enxergam

A verdade além do momento

Que o superficial não entrega


O poder da essência revela

Que a verdadeira beleza subsiste

No profundo pintar da aquarela

Do recanto em que a alma reside

 

Caráter, valores, qualidades

Com o tempo não desvanecem

Ao contrário das vaidades

Que enganam e não permanecem

 

fim

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Novo normal

E essa pandemia? Novo normal?

Acredito que, no começo, a gente não aceitava o que estava acontecendo (negação), daí veio a raiva e a indignação. Então passamos a barganhar com a vida, tentando burlar a realidade. Mas ao ver que não seria possível, veio a depressão. Depois de conseguir entender melhor as coisas, veio essa ideia de "novo normal", e, após adquirir novos hábitos, passamos a aceitar (quase) tudo e a seguir em frente. Será?

Pelo menos comigo foi assim.

Na verdade (penso eu) o que nos assombrou foi a forma agressiva como veio essa mudança: por meio de uma pandemia. Quarentena. Isolamento. São tantas incertezas, mas principalmente com a insegurança de não sabermos  com quê estamos lidando. E o pior, passamos a desacreditar do amanhã, porque o pessimismo veio com tudo. Aí veio essa ideia de "um novo normal" pra tentar nos abraçar e nos aliviar, diante de uma expectativa de algo novo, mas normal. O problema é que o conceito de normal é muito amplo e, ao mesmo tempo, subjetivo, gerando ainda mais insegurança. Complicado...mas acredito que uma coisa certamente essa pandemia está nos ensinando severamente: a viver um dia de cada vez e a cultivar o presente como se fosse o último. Talvez com isso a gente construa um futuro não tão "normal", mas novo e com frutos tão bons que nos façam evoluir a essência e nos tornar mais humanos.

Fim

Destoa

Não precisa ter receio
Se vc destoa
Não é à toa
Tanto que é uma coisa boa 

Todo esse seu anseio
Pelo jeito, pela forma
Pelo medo, pelo estado
Pelo tempo que deforma
Pelo ego renegado
Pelo momento que transforma

Tudo isso é um recado
Se aprofundar não é pecado
Pecado é ficar parado
No que não tem significado

fim

domingo, 22 de setembro de 2019

Um diálogo com a diversão

Olhei pra minha parede, onde tem algumas fotos da minha infância, e lembrei de como eu era feliz com tão pouco. Dava pulos de alegria e me sentia realizado quando em casa a gente se juntava pra brincar de banco imobiliário no chão da sala, ou então quando fazíamos "acampamento" com as almofadas do sofá. A minha cama estava lá arrumadinha, mas eu não podia perder a chance de passar a noite na "cabaninha" construída com tanto esforço de criatividade.

Não tava nem aí pro que estava acontecendo com a economia ou com a política, a preocupação estava em chegar logo o fim de semana para que eu pudesse ir pra piscina e jogar bola no campinho. As tarefas escolares eram encaradas assim: fazê-las ou burlá-las copiando de algum nerd, só pra ter mais tempo de brincar...rs. Criança tá sempre com a cabeça na diversão. Era como se as lições de casa fossem um obstáculo a se ultrapassar pra que eu pudesse brincar mais. Não havia aquela preocupação com o mercado de trabalho, muito embora a cobrança dos meus pais e dos professores fosse sempre essa.

Mas eu acredito na teoria da proporcionalidade das conquistas e responsabilidades (que acabei de inventar....rsrs). Isso mesmo. Quer dizer que, quando adultos, não temos maiores responsabilidades ou conquistas, mas sim, temos tudo isso de maneira proporcional à maturidade que adquirimos desde que nascemos - ou pelo menos deveríamos ter. Quando criança nossos pais são a nossa maturidade até alcançarmos a nossa própria. Ou seja, nosso papel na infância é conseguirmos nos divertir ao máximo, aproveitando cada oportunidade em utilizarmos nossos sentidos para assimilarmos as informações e conseguirmos compreender o sentido das coisas.

Numa pesquisa divulgada pela Unifil - Centro Universitário Filadélfia - em dezembro de 2011, elaborado pela acadêmica Joyce Aparecida Pires Cardia, foi constatado que a brincadeira é um elemento estratégico de grande valia para o desenvolvimento da aprendizagem e da maturidade. Nessa pesquisa há uma citação do cientista Lev Vygotsky extraída do livro dos Ph.D.'s em Psicologia Fred Newman e Lois Holzman, intitulado "Lev Vygotsky: cientista revolucionário", que faço questão de transcrever:
Numa brincadeira, a criança faz uso espontâneo de sua habilidade de separar significado de um objeto sem saber que está fazendo isso, exatamente como não sabe estar falando em prosa, mas fala sem prestar atenção nas palavras. [...]. Assim de conceitos ou objetos, as palavras se tornam partes de uma coisa. Em certo sentido uma criança brincando está livre para determinar suas próprias ações, mas em outro, esta é uma liberdade ilusória, pois suas ações estão de fato subordinadas aos significados das coisas, e ela age de acordo com eles.
O problema, na verdade, existe quando assumimos mais responsabilidades do que podemos suportar, o que nos sobrecarrega, gerando stress e outros desgastes físicos e emocionais. Geralmente isso acontece por falta de planejamento e solidez, cuja prática vem sendo constantemente limada pelos discursos apelativos de uma sociedade consumerista que, por conta da velocidade do avanço tecnológico, nos sugere a ideia de que estamos sempre atrasados ou desatualizados.

Confesso que, hoje, já estou bem mais maduro e me considero bem sucedido no que faço. Tenho uma boa formação acadêmica, um ótimo trabalho e uma perspectiva de futuro muito promissora. Mas porquê às vezes eu me deparo com aquele sentimento como se eu fosse mais feliz quando criança?

Esses dias atrás, lendo a Bíblia, meditei num episódio em que algumas pessoas levavam suas crianças até Jesus. Mas por estarem sendo impedidas pelos discípulos, Jesus lhes repreendia dizendo para deixarem que as crianças fossem até ele, ressaltando que o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas, e afirma que nunca entrará no Reino quem não recebê-lo como uma criança (Lucas 18.15-17). Então algumas coisas começaram a fazer algum sentido.

Fiquei imaginando toda aquela criançada correndo em direção a Jesus com um único intuito: abraçá-lo. Isso já era o suficiente para que elas ficassem completamente felizes e realizadas. E com toda certeza elas estavam se divertindo muito com esse encontro. Já os adultos, em sua grande maioria, sempre carregavam consigo algum stress, algum problema para levar ao Mestre, vendo nEle a solução para os seus problemas, não simplesmente como um mestre e companheiro.

Percebo que, ao passo em que crescemos, acumulamos tantos anseios e responsabilidades, muitas vezes de forma precipitada e exacerbada, gerando-nos diversos problemas, que acabamos depositando em determinadas coisas ou pessoas a responsabilidade pela nossa felicidade. Como naturalmente isso não é possível, ficamos frustrados e desde logo buscamos arrumar um jeito de nos desfazermos desses elementos "imprestáveis". Não sendo possível o desfazimento, passamos a conviver com eles de maneira exaustiva.

Tudo isso cansa, corrói o espírito e mata a alma. Não se pode manter uma boa saúde física e mental assim. E, consequentemente, nenhuma felicidade. Precisamos nos divertir mais!

Vejo a diversão como uma atividade realizada com prazer, desassociada de preocupações stress e cobranças. É muito comum associarmos a diversão com o momento de lazer, mas não é bem assim. Esse momento (do lazer) é uma pausa, um intervalo que damos à mente da concentração do trabalho, é o descanso. Mas tudo o que fazemos com prazer se torna divertido.

Pois bem, se na infância a diversão nos ajuda no desenvolvimento dos sentidos e no aprimoramento do raciocínio para uma melhor percepção da vida, na vida adulta ela nos auxilia a desenvolvermos as nossas atividades com mais excelência e perfeição.

A lógica é simples. Tudo na natureza funciona assim: retêm-se o que é bom e se elimina o que é ruim. E não é diferente com o nosso cérebro. Estudos mostram que a nossa memória funciona melhor quando a informação vem associada com algo prazeroso. O que é ruim entra como conflito e fica gravado como zona de tensão.

O verbo saber, do latim sapere, é associada na sua origem ao substantivo sapor, que significa sabor. Essa associação existe porque o efeito do conhecimento é o mesmo do de sentir o gosto do alimento, ou seja, conhecer é sentir o sabor da existência (uia!...que frase bacana...rsrs). Note que quando o sabor é agradável, nosso organismo pede mais dele.

Quem se diverte tem sabor agradável pela vida e faz tudo com prazer e motivação genuína, ou seja, com amor.

Friedrich Nietzsche disse uma vez: 
"Uma pessoa continua a trabalhar porque o trabalho é uma forma de diversão. Mas temos de ter cuidado para não deixarmos a diversão tornar-se demasiado penosa."
Não se trata de valorizar o aspecto irresponsável e imaturo de uma criança quando falo em diversão. Nem tampouco de menosprezar a importância dos planejamentos acadêmicos, profissionais, econômicos e familiares, de modo a fazer tudo com desleixo e de forma jocosa. Trata-se, porém, de manter acesa a chama da pureza, da simplicidade e da sinceridade de coração, além da fé, buscando sempre a paz, pois é nutrindo essas qualidades que conseguiremos transformar as aflições da vida numa eterna diversão, a qual Jesus uma vez chamou de "bom ânimo", pedindo que o tivéssemos, já que lá na cruz Ele venceu as mazelas desse mundo (João 16.33).

Quando se é criança, a vida é cheia de diversão e tudo é feito com amor. Antes de decidir alguma coisa é preciso vermos se seremos capazes de realizar tudo com alegria. Esse é um dos segredos da verdadeira felicidade.

 fim.